quinta-feira, 16 de julho de 2015

A Historia de Minha Terra


Tentarei aqui passar as histórias que ouvi de meus antepassados (ou amigos) e até lendas folclóricas, nesta  monha caminhada ao longos desses 68 anos. O título que darei a este trabalho já escolhi será...
A História de Minha Terra
                                                                   ssoaresmartins

Bom para quem já cursou pelo menos o ensino básico, ou mesmo não tendo concluído este, deve saber pelo menos o fundamental da História do Brasil.
Segundo alguns documentos histórico, pouco mais de 50 anos após o descobrimento, já acontecera as primeiras investidas do homem colonizador às entranhas do interior do Brasil.
Segundo dados, em 1573, Fernandes Tourinho partiu  de Porto Seguro BA, com alguns companheiros, utilizando precárias canoas.
Rumaram-se em direção ao sul, até alcançar a foz do Rio Doce (Rio este, que os indígenas conheciam como Rio Mandi). Conta-se os historiadores que Fernandes, navegara até a cabeceira do rio, que se entende,o encontro das águas do Rio do Carmo, Rio Piranga e Xopotó, nas proximidades de Ponte Nova. Dizem alguns que Fernandes Tourinhos (Português que residia em Porto Seguro na Bahia) continuou por alguns anos na região Leste Mineira, pesquisando quase todos afluentes do Rio Doce, da foz a nascente a procura das tão cobiçadas esmeraldas, que era tão comentada pelos nativos da região. Acredita-se, que o desbravador morreu acreditando ter visto das proximidades de Ponte Nova as Serras dos Órgãos, serras que divide os estados de Minas e Rio de Janeiro, mas na verdade, o português fora enganado pelos altos picos das regiões de Vila Rica (Atual Ouro Preto). O Brasil da época era pouco interessante aos Europeus, que o deixava ao Deus dará, devido as altas despesas de acesso e ao alto custo benefício da produção açucareira. Mas com a descoberta pelos Bandeirantes do ouro em Minas gerais, Goiás e Mato Grosso, novos ares passou a ventilar a colônia que outrora era desprezada.  O Brasil passou a ser um polo mais atrativo, com a irradiação das notícias do ouro. Logo as autoridades tomaram providencias, de abrir a estrada real por onde deveria escoar toda riqueza do interior. Então foi fechado um triangulo de ligação, entre Rio de Janeiro, São Paulo e Minas.
As autoridades da Corte se preocupavam muito em manter um cinturão verde que dominava do Sul ao Nordeste, porém com uma vigilância mais acentuada, nas regiões de Minas, Rio, Espírito Santo e SP. Isto aproveitando o clima hostil da Mata Atlântica, que por ser um ambiente de clima muito úmido e quente favorecia a infestação de mosquitos transmissores de várias enfermidades, muitas vezes fatais para a época.
Somava-se a este fato, a presença de tribos indígenas de costumes de difícil domesticação e muitos destas tribos adeptos a antropofagia (Comiam carne humana sem constrangimento). Mesmo com todos as barreiras naturais, alguns aventureiros tentavam atravessar os obstáculo, porém eram duramente castigados chegando até a sentença de morte.
Segundo algumas fontes históricas (não comprovadas), os condenados perigosos da época faziam-se temidos às autoridades de Ouro Preto, por estas ameaças, eles construíram uma masmorra (Penitenciaria) na região da barra do Cuieté, onde deságua o Rio Caratinga, que mais tarde viria a ceder seu nome ao município sede da região. Há indícios de verdade em tal história, devido os nomes de locais de pousadas antigas como Passa Dez e Quartel do Sacramento. Então os capitães com seus comandados, descia o Rio Doce passando por Rio Casca, quando chegavam no Quartel do Sacramento rumavam-se a leste, onde tinha outro pouso em Entre Folhas. Alcançando o rio Caratinga nas regiões de Tarumirim, rumavam-se sentido Norte até chegar na Penitenciaria do Degredo com os perigosos presidiários que ali se sentenciavam até a morte.
No mais, eram o resto todo mata fechada e intransponível.
Com a queda da produção do ouro, começou um problema. Não mais compensava manter um colônia numerosa de escravos. Com a cobrança da Coroa aumentando,  os impostos sendo majorados para compensar a queda da produção, assim muitos homens do garimpo se desestimularam.
 A corte então começou abrir mão das terras como outra fonte alternativa de exploração, que atendesse à população local e a Coroa. 
Com o afrouxamento das leis governamentais da época, começa a invasão de terras na região da Mata Mineira, mais propriamente onde hoje é Ponte Nova. Ali em 1790 já havia algumas boas fazendas produtoras de Cana de açúcar e Pecuária. As notícias de terras férteis as margens do Rio Doce, logo correu, fazendo aumentar dia a dia a migração de homens que eram do garimpo para a produção agrícola. Aproveitando o trabalho escravo que já não era produtivo nas jazidas.
O Município de Ponte Nova, teve um aceleramento de progresso muito acentuado em poucos anos. Dizem que o pioneiro foi um padre, que ali construíra uma igreja e agregou seu trabalho de sacerdócio ao de fazendeiro. Em pouco tempo, as terras de Ponte Nova encareceram em demasia para uma população que já vivia a beira da miséria, começaram então a avançar para região de Abre Campo. A pobreza era tamanha, que as casas dos novos arraiais, era todas em pau a pique, (Um entrelaçado de Bambus e cobertos com barro argiloso, com engradados de fibra de palmitos e coberto de sapê (Tipo de capim muito usado na época para cobertura de ranchos). 
Já no Período do Brasil Independente, uma nova fonte de renda aparecia nas matas Mineira, era um tubérculo de nome cientifico de Ipecacuanha (Conhecida pelos índios da região pelo nome de Poaia) Domingos Fernandes de Lana com alguns companheiros adentra as matas a procura do tal tubérculo até atingir a região do Rio Manhuaçu, ou Mayguaçu como diziam os nativos da região (Na linguagem tupi seria Rio Grande) Domingos de Lana, fez intercâmbio comercial com os selvagens, que durara alguns anos. Assim aparece na Historia as terras do Manhuaçu. Aumenta a exploração da Ipecacuanha, formam-se fazendas com criação de animais, logo em seguida começa a expansão da lavoura de café. A região se vê atraída agora, por gente de outros estados e até imigrantes principalmente Europeus. A notícia das novas terras, alastra pelo Brasil, a população regional aumenta acentuadamente. Houve até um maluco com ideias separatista, que impôs por determinado tempo um estado independente, sem conhecimento da Coroa Real, se fez Imperador e criou uma moeda local que até hoje não se explica em que identidade era representada, se por ouro, café ou outro símbolo.
Domingos Fernandes de Lana natural de Arapongas (Município de Viçosa) explorou a região  de 1841 1 1847.

Caratinga

Pelo inicio dos anos 40 de século XIX, Chega a região os irmãos João Caetano do Nascimento, João Antonio de Oliveira e João José da Silva. A historia consta ser irmãos porém os sobrenomes não justifica.
Como se noticiava as riquezas da região e habitada por indígenas de índole mansa, os três pioneiro resolvem vir conhecer as novas terras, percorrendo as margem do Rio Manhuaçu, João Pinto, Rio Preto e Cuité (Nome antigo do Rio Caratinga) até o Rio Doce. Logo em seguida, abandonaram a barra do Cuité devido a infestação de transmissores de febre de várias naturezas.
Na viagem de volta, os desbravadores se separaram, João Caetano buscou sua Família e demarcou uma sesmaria com uma imensidão de terras, percorreu os rios preto e Lages até as nascentes e se fixou na serra do Jacutinga.
 Aos poucos foi trazendo parentes e amigos ao qual cedia terrenos para começarem novas vidas. Com a vinda de muitos amigos, parentes a mais tarde outros até desconhecidos foi-se formando a nova povoação.
Em toda historia, Caratinga pertencera á... Ponte Nova, Abre Campo e Manhuaçu.
                                                                     
Já em 1878 foi construída a primeira Igreja de São João Batista na povoação que levou o nome de São João do Caratinga ( Nome este, herdado devido a abundante quantidade de um inhame chamado de Cará, como tinha a cor muito branca os índios o chamava de Caratinga ou seja... Tinga era para eles, o sinônimo de branco) Mais tarde (Em torno de 1878) o Rio Bugre por ser do distrito de Caratinga, ficou conhecido por Rio de Caratinga depois simplificou-se em Rio Caratinga.
Primeira Igreja de Caratinga Construída no ano de 1878, Marco histórico do Município hoje tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal.
                                                                                     
O distrito de Caratinga fora criado em 1º de Dezembro de 1873. Em 06/02/1890 foi criado pelo então Presidente de Minas Gerais, Cesário Alvim o Município de Caratinga, arrastando consigo uma vasta extensão territorial, uma faixa de terra que ligava o oeste do Rio Manhuaçu a Leste do Rio doce se estendendo até a atual cidade de Aimorés. Em 1891, foi confirmado a criação  da sede Municipal, em 1992 a Vila se eleva então a condição de Município. A Comarca de Caratinga foi instaurada em 1891 e instalada em 1892, fora suprimida em 1912 e restaurada em 1917. Caratinga prosperou-se tanto e em tão pouco tempo, que em 1910, chegou a ocupar a posição de maior cidade de Minas Gerias e a 6ª do Brasil em população, chegando perto de 130 mil habitantes, ficava atrás de 4 capitais, e apenas Campos dos Goytacazes como cidade interiorana a sua frente. A cidade de Caratinga sempre predominou-se com a fé Católica, sendo criada sua Diocese em 1915. Em 1919, chega em Caratinga o então Cônego Aristides Marques da Rocha que cria o Jornal  O MISSIONÁRIO e dá inícios a construção da nova Catedral. Em 1930 chega a cidade o ramal da Estrada de Ferro Leopoldina, em 1935 é abençoada a nova Catedral.
Inhapim

Curiosamente as terras de Inhapim, assim como Entre Folhas, Quartel do Sacramento, passa Dez, como fora frisado no inicio, foram pisada pelo homem civilizado muito antes das terras de Caratinga. Isso porque ali era caminho de tropas de transporte de toda naturalidade de produtos, também caminho das tropas militar com destino ao degredo. O Nome Inhapim deriva-se do nome de um pássaro nativo da região, de cor escura e faixa amarela nas azas, na linguagem Tupi Inhapim seria sinônimo de Amanhecer. Por este pássaro marcar muito com seu canto no romper da alvorada, ficou conhecido pelos primitivos de Inhapim. O povoado começou com doações de pequenas Glebas de terra e  uma arrecadação da população que se somara 250 contos de Réis. A Emancipação do Município se deu no ano de 1938. A emancipação de Inhapim tirou de Caratinga um vasto território.
 Iapu
A historia de Iapu consta, que o primeiro homem a pisar a terra foi Raimundo José de Souza e um Sobrinho Antonio Bronza de Souza, que se acamparam as margens do Córrego Santo Estevão. Porém se tem mais narrativas a partir de 1884, com a chegadas de lavradores fazendo derrubadas e assentando suas famílias, vendo a qualidade de fertilidade da terra e o bom clima pra se viver. Seu nome assim como de Inhapim se originou também de um Pássaro Iapus, pássaro preto de calda amarela (A linguagem indígena deixa muita contradição nas palavras, até porque as tribos eram famílias diferentes, todos com a arte de viver na selva, mas cada uma com seus dialetos e costumes. Exemplo disso é a origem do nome Caratinga que seria Cará-Branco então Ipatinga teria de ser Areia Branca, uma vez que Ipa é areia. Mas em Ipatinga eles alegam que Ipatinga é derivado de águas claras ou Cristalina). O distrito de Iapu foi criado em 1901. Subordinado a Caratinga, com nome de Santo Estevão, em 1923 passa-se a chamar Boachá, em 1928 retorna ao nome de Santo Estevão. Em 1938 passa pertencer a Inhapim e se emancipa em 1948,tomando-se o nome de Iapu constituindo-se da sede, incorporados os distritos de Bugre e São João do Oriente.
São João do Oriente
A Historia de São João do oriente está muito atrelada a historia de Iapu, uma vez que a ocupação territorial acontecera paralelamente e com os mesmo objetivos, eram posseiros agrícolas e a garimpagem do tubérculo Ipebacacuanha (Mais conhecida na região por Poaia) Oriente, começou a ser habitado por volta de 1885, na história diz que a região era ocupada pelos índios Botocudos/e o primeiro posseiro foi Raimundo Caetano, mas deixa como inicio da história de Mesquita, e pelas historias que li no passado a região nunca pertencera a Mesquita, que fica ao lado oposto ao Rio Doce sendo que na época sempre os rios serviam de fronteiras regionais.  Oriente segundo algumas historias, antes levava o nome de São João do Boachá. Mais tarde em uma observação do Padre de nome José Faustino, ao celebrar a primeira missa no povoado, impressionado com a linda imensidão do horizonte, exclamou a frase que lindo Oriente. Então, a partir daquela data o São João do Boachá, passa a ser conhecido por São João do Oriente.
Mas como em meu ponto de vista essa história que é registrada, deixa uma forte confusão com a história de Mesquita., paro por aqui e vou seguir para outra situação.

 Bom, vou partir da historia que ouvi de meus avós.
 Meu Bisavô do lado Materno, chegou a oriente por volta de 1890, contava meu avô Laurentino (Sô Lora como era chamado) que quando aqui chegaram, meu bisavô Severino Medeiros,  trocou uma Égua e voltou 2 contos de Réis, em uma Fazenda de 40 Alqueires no Córrego Areia Branca, para os mais antigos saberem, a fazenda é a mesma que depois veio a pertencer o Sr José Almeida, mais tarde foi fracionada e o ultimo morador da sede que conheci foi o Sr João Ferreira. O povoado de oriente  começou com a doação de 3 Fazendeiros Antonio Vidal, Francisco Guilherme e Antonio da Silva, este ainda, tem muitos descendentes na região, inclusive o meu primo e nosso companheiro de grupo José Basílio, e minha amiga Pricila Andrade. Para quem conheceu, a Dona Nega do João Ramiro, era descendente do Antonio Silva.
Vovô contava, que quando conheceu oriente o povoado tinha 6 casebres, feitos em Pau a Pique e com massa de barro argiloso e cobertura de sapé (Um tipo de capim muito usado nas coberturas de Ranchos)  As fazendas de proprietários mais abastados financeiramente, já tinham arquiteturas melhoradas. A primeira paróquia ou a igreja velha, não tenho a data de sua construção, minha tia Tatana conta que meu bisavô trabalhou na construção desta antiga igreja, como Carapina.
 Os Moradores mais antigos conhecidos de meus avós eram... Antônio Silva, João Lopes pai do Chiquíto Lopes que foi sócio da São Geraldo (empresa de ônibus), José Rodrigues, era o Médico do povo na época. Antonio Andrade. Severino Medeiros, Meu bisavô,  José Ilhéus, Alfredo Soares também Bisavô,  Ivo de tal, entre outros. O Sr Olívio Pinto Vieira, chegara a Oriente oriundo de Juiz de Fora no ano de 1917 e aqui se estabeleceu como farmacêutico (assim me contou meu grande amigo e filho do mesmo, o conhecido Zezinho do Sr Olívio ou Zezinho da granja)
Bom, eu nasci em oriente em 1946. Mais precisamente na Rua do Birro, atual Rua Caratinga, vi os primeiros raios solares provavelmente no dia 21/12/1946, porque nasci dia 20 as 18 horas já a noite (Na época não existia Horários de verão) Gosto de frisar... Nasci na Hora da Ave Maria.

 Ali vivi uns meses e minha família veio para Caratinga. Em 1949 voltamos para Oriente e vivi a felicidade da terra natal como morador até 1952. Voltamos de novo para Caratinga. Mas em todas as férias escolares passava os dias no sítio de meus avós ou na casa de minha Tia Palma esposa do Zé do Norte.
Meu pai contava muitas historias do passado, entre tantas, ele contava que Oriente prosperou-se mais que Iapu, o numero de eleitores e casas superava o da sede. O prefeito da época era o Chico Bão como era conhecido (Com certeza queria pronunciar Chico Bom) Então como Oriente crescia muito, o prefeito passou a diminuir recursos para atrapalhar o desenvolvimento da baixada, pois isto era ruim para Iapu. Mas o povo pedia implorava e reclamava uma ponte para o Córrego Preto, ali perto da pracinha, mas era sempre negado. Foi quando se revoltou a população como um todo e resolveram fazer a ponte por conta própria. Ao saber da iniciativa dos moradores, o prefeito toma sua atitude. Chega uma carta do executivo proibindo tal ação. Fizeram uma reunião do povo local e marcaram a data para construir a ponte. No dia marcado, dizia papai, que ficou como se fosse uma festa, Homens cortam madeiras, outros lavram, as mulheres improvisaram uma cozinha, onde hoje é a praça, crianças carregavam lenha, mas todos trabalhando, alguns bebendo com excesso, e soltando fogos. Mais a tarde chegou alguns policiais de Iapu acompanhados com alguns de Caratinga e procuraram o delegado, não sei se já era o Aníbal. Então o delegado local explicou, olha não teve como conter este povão, estão muito irado com o Chico Bão, porque ele não faz, nem quer deixar fazer a bendita ponte, e vocês são poucos, ali é muita gente entre homens mulheres e até crianças, tem muita gente embriagada, vai criar uma situação que pode ficar insustentável, tem muita gente armada no meio, já estava esperando por isso. Os policiais voltaram sem agir e a ponte do rio preto ficou pronta.


Bom da minha vivencia por pouco tempo, mas por minhas infinitas andanças pela minha terra, guardei muitas recordações, primeiro uma usina hidrelétrica que com o despreparo tecnológico da época, eles usavam dois homens com alavanca de madeiras para controlar a RPM do gerador, para  não produzir mais tensão que o necessário para as lâmpadas.  Lembro-me do Faz-Tudo, um ferreiro que todo dia 1º de Janeiro tomava um banho e passava o ano na sujeira de carvão, que seu trabalho propiciava.



 só no outro dia de Ano Novo, que voltava ao Santo Estevão para se banhar de novo, Lembro-me do Peçanha que amedrontava a criançada. Quando ainda pequeno, minhas irmãs pescando, eu brincando nas areias do Santo Estevão, enchi um vidro de areia molhada, a boca do vidro tinha a abertura muito pequena, na inocência comecei a bater a o vidro na pedra para sair a areia, foi quando ele partiu ao meio, rasgando meu dedo Anelar, o corte foi tão profundo e grande que os ossos ficaram expostos e a carne com pele pendurada.  Minha Mãe correu comigo na Farmácia do Milton Siqueira que fez um curativo a base de Iodo, que vi até estrelas, fato este para nunca mais esquecer do amigo que me assistiu. Quando o mesmo era prefeito eu não deixava de tomar seu cafezinho na Prefeitura. Até hoje é olhar a cicatriz e me lembrar do Milton
Não posso me esquecer do José Timóteo que na época trabalhava na casa de comércio do Dínho, Como eu naquela minha infância, achava lindo aquela loja do Dínho, em que eu dizia... Pai o senhor vai na casa de negocio do Dim, quero ir também, chegando lá ficava encantado com aquelas bacias, agrupadas uma sobre as outras, começando por uma enorme e terminando nas pequenitas. Outro encantamento para mim era ver aqueles espelhos de bolso, que era muto usados na época. A loja ficava em frente a casa do Milton Siqueira, esquina com a Rua Nova. Lembro-me vagamente de um garoto meu amigo de infância de nome Aroldo, filho de Dona Leonor, na antiga rua da Coruja, que era onde era minha casa. Outras pessoas que sempre me vem a mente, de meus tempos de Oriente são... No fim da Rua, o Sr Aristides Aredes, a Elza e sua irmã Altina que não sei de que família são,  A tia Palma dizia que a Altina se casou com José Leite ou José Freire, não sei ao certo, sei que era um comerciante perto do antigo bar do ponto de ônibus. Lembro-me dos nomes de Sr Afonsinho Aredes, Ocrídes, Olivinho, Marquinhos, Élcio e Zezinho estes filho do Sr Olívio. Falando dos filhos do Sr Olívio, não podia esquecer o nome de seu genro e atendente da farmácia nos meus tempos, o Sr Isolino, naquela época ainda novo, era ele que comprava os vidros de medicamentos vazios, em que a minha mãe mandava lavar o córrego Santo Estêvão, que passava nos fundos da casa, com estes vidro, fazíamos um troco para comprar os pães, e estes eram reciclados para novos fármacos, Meus irmãos que estudaram naquela escola, que sediava ali onde hoje é a pracinha, ao lado de uma casa de cinema, sempre comentavam os nomes das professoras, Adegundes, Geralda Vieira, Onorina, dona Maria Julia entre outras, que esqueci os nomes.  Não esqueço do nome do Sr Antonio Francisco, mas conheci e fui muito amigo do seu filho o Nero que tinha uma oficina mecânica perto de minha oficina de eletromecânica, que hoje está com meu filho, (sediávamos á Rua Dona Julíca, aqui em Caratinga). Na rua velha lembro do Caboclo e do Zé de Abreu. Aquela Fazenda que hoje chamam de Fazenda Carolina, no meu tempo era Fazenda do Albino. Muito lembro também de meu falecido amigo Biota, da Maquina de limpar arroz do Sr Nicolino, do meu tio avô Tão Soares. Tinha também a vendinha do José Leonel, como os filhos Adão e Fiota. Lembro dos nomes do Zezinho e Neném Teixeira. A esposa do Neném Teixeira a Marta era artista em Alta-Costura, além desta arte, cantava bem pra caramba. Meu velho pai tocava violão muito bem e Dona Marta era madrinha de minha irmã, a musica preferida dela era E o Destino Desfolhou que fora gravada por Silvio Caldas e Carlos Galhardo. Teria ainda muita gente a ser lembrado, mas vou parar por aqui porque o texto já está demasiado grande. Muito anos depois voltei a Oriente o José Timóteo candidatou-se a vereador e usou o slogan engraçado e bem bolado, como era de raça negra o Slogan era... Não Vote em Branco, Vote em José Timóteo. O Timóteo era uma figuraça, Sr bacana estava ali.
Dois sons que ouvi por longos anos em Oriente, ficou gravado em minha memória como se fosse hoje, Um, era sempre ao romper da Aurora (Eu sempre fui difícil para dormir e sempre acordei muito cedo) Quando as carretas que tiravam toras de madeiras, vindo lá dos lados da Barra emitiam aquele som ao longe e levava uns 20 minutos a passar na frente de nossa casa.
O outro som que também não me esqueço, é da sirene da Serraria do Dunga. Era sempre as sete da manhã as 11 e as 16 horas.
Por uma única vez, parece que ouve uma crise de abastecimento de carne bovina, então uns boiadeiros passaram comprando tudo que achavam e pagavam para pegar o gado na volta. Viraram a serra do Pedro João e foram para os lados de Tarumirím, depois veio juntando a boiada viajando sentido a Barra e Cachoeira Escura para embarcarem no trem sentido à Vitoria, nunca mais vi tamanha boiada

Certa vez colocaram o Zé do Norte que era esposo de minha Tia Palma para delegado, Zé do Norte tinha menos juízo que uma barata, em um sábado encheu a cara, e ficou valentão, quem foi prende-lo foi o Padre Sat, Um padre meio doidão também, depois de preso o tio, ainda colocou fogo na Sapucaia, (Sapucaia, era um cubículo onde prendiam os ruaceiros por poucos períodos, só até sarar a bebedeira) O Aníbal delegado prendeu foi muitos.
 Uma vez, criaram uma radio Online (Ou seja via fio ou em linha) o apresentador era o Adão Generoso.
A rádio tinha auditório ao vivo e a moçada saiam todos para mostrar seu lado artístico, frente ao microfone da primeira rádio do distrito, porque ainda não era cidade.
Nas tardes mornas de Oriente, saiam uma turma de rapazotes com uma placa na mão cantando... Hoje tem cinema/Um filme muito bom/As oito horas da noite/ Seriado do Tarzan. Nunca mais esqueci os dizeres.
Também me lembro das Sextas da Paixão, quando minha mãe faziam-nos a tardinha, guardar tudo que tinha no quintal, até as latas de flores que ela gostava, porque naquela noite era a roubalheira para a chácara do Judas. Uma vez fizeram o Judas e roubaram a placa de uma Alfaiataria com os dizeres Alfaiataria do Dadinho, aquilo era uma festa para a molecada.
                                                                                

  Oriente daquele anos tinha pouca opção de diversão, era um circo hoje, um parquinho amanhã, os parques sempre cobrando um Cruzeiro, para o rapaz oferecer uma música do Anísio Silva para a moça de sapato branco, ou de vestido verde.
Quando a rapaziada queriam fazer um Love Story, recorriam as casas de prostituição atrás do campo. Quando chegava garotas novatas era uma festa.
 No futebol Oriente sempre foi exemplo de bons times amadores. Jogadores que marcaram presença no time local que me lembro o nomes posso destacar... Elcio do Sr Olívio, Furneca, Bínha, Pelezinho, Dé, Tião Guilherme, Beraldo entre outros que me esqueci.
 É bom frisar que por várias oportunidade as balizas do CERJO foi defendida pelo melhor goleiro que vi jogar ao vivo (Isso na minha opinião) e olhe que meus olhos já viram nada mais nada menos que Ari, Ubirajara, Fernando, Marcial, Raul, Renato, Julio Cesar (o dos 7x1 da Alemanha, mas bom goleiro, Felipe e Paulo Vitor pelo Flamengo, João leite, Andrada, Manga, Ubaldo Fillol, Barbosa,Zé Alcino, Jota, Miltão estes 3 últimos da região. Estou me referindo a Edson Borracha, que mais tarde se profissionalizou no EC Caratinga e daqui foi para o Rio e jogou no Fluminense Vasco e Botafogo chegando algumas vezes na seleção Brasileira. Os outros que citei era sim, grandes goleiros e até com renome internacional, mas... O Borracha era o Borracha, para quem não o viu jogar, vou citar um exemplo de jogada que era comum a ele, foi aquela linda jogada do goleiro René Higuíta que ficou eternizada na historia de todas copas do Mundo, Mas com Borracha, aquelas maravilhas eram corriqueiras.
Bom a historia que estudei, que pesquisei, que ouvi e que vivi é mais ou menos esta.
Queria colocar um final bonito na história de minha terra, Como sempre fui amante do Cinema Americano, vou encerrar com o titulo de um filme, porque tudo isso fora registrado... Em Algum lugar do Passado.
                                                                   THE END... ssoaresmartins

Nenhum comentário:

Postar um comentário